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A República apodreceu e exala mal cheiro

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 25 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de fev.



A República apodreceu. Não foi de repente, não foi com estrondo, não foi em uma única noite de escândalo televisionado. Foi como fruta esquecida no fundo da gaveta: por fora ainda parecia firme, mas por dentro já se desfazia em polpa escura. E agora o cheiro se espalha.


O apodrecimento começou nas pequenas concessões. Uma regra flexibilizada aqui, um favor político ali, um silêncio conveniente acolá. Como um alimento exposto ao calor, a estrutura republicana foi perdendo sua consistência. A ética tornou-se opcional.


O interesse público passou a disputar espaço com ambições privadas. A responsabilidade virou retórica.


O mau cheiro é a consequência inevitável da decomposição. Ele se manifesta na descrença popular, na apatia diante das urnas, na normalização do absurdo. É o odor da corrupção reincidente, da impunidade seletiva, da desigualdade naturalizada. É o cheiro que invade as instituições quando estas deixam de servir ao cidadão e passam a servir a si mesmas.


Em uma República saudável, os poderes funcionam como sistemas de ventilação: equilibram-se, fiscalizam-se, impedem o acúmulo de impurezas. Mas quando esses mecanismos falham, o ambiente fica abafado. O ar político torna-se pesado, difícil de respirar. A transparência dá lugar à opacidade. A confiança pública evapora.


O problema do mau cheiro é que ele denuncia o que muitos prefeririam ignorar. Pode-se pintar as paredes, trocar os discursos, renovar os slogans — mas se a base está em decomposição, o odor retorna. Não é uma questão estética; é estrutural.


Ainda assim, toda matéria orgânica que apodrece revela algo essencial: houve abandono. Nada se deteriora assim quando é cuidado. O estado de putrefação indica descaso, omissão, cumplicidade coletiva. A República não apodrece sozinha; ela é deixada ao calor da indiferença.


A metáfora é dura, mas necessária. O mau cheiro que hoje incomoda pode ser também o alerta. Porque, antes que a decomposição seja irreversível, é possível limpar, reformar, reconstruir. Exige trabalho, vigilância e compromisso público. Exige reconhecer que o problema existe.


Enquanto fingirmos que é apenas impressão, o odor continuará a se espalhar. E quanto mais nos acostumamos a ele, mais profunda se torna a podridão.


Reflita.

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Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

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