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  • Antonio Marcos Nunes

Eleições 2022 - Mais propostas, por favor!

Por Robson Wagner

Robson Wagner é CEO da W4 Comunicação

Diferentes de pleitos passados, esse processo eleitoral tem sido confuso para os cidadãos. Por exemplo, o eleitor votava em coligações e hoje temos federações. As coligações eram somente eleitorais, após o dia do pleito se outubro se extinguiam. Os partidos ainda podem se coligar para lançar candidatos nas eleições majoritárias para prefeito, governador, senador e presidente da República.


Nas eleições proporcionais, que neste ano são para deputado estadual, distrital e federal, não há possibilidade de coligação. Os partidos que quiserem se unir antes da eleição devem formar federações, desde que assim permaneçam durante todo o mandato a ser conquistado. Assim, a principal diferença é o caráter permanente das federações.

Diante deste emaranhado de informação eleitoral do “pode e não pode”, o eleitor que no passado precisava se ater apenas a tomar conhecimento de propostas e fazer escolhas, foi alçado a um nível de alquimista para assim entender as mudanças a cada eleição. Está assim formada a primeira confusão.

E o cenário da divulgação das candidaturas? No passado recente os programas eleitorais de rádio e TV eram cultuados como um divisor de águas, em muitos casos, para o conhecimento do candidato e suas propostas. E ainda têm a sua importância e simbolismo. Entretanto, com o advento das redes digitais, graças à leniência da legislação eleitoral no período de pré-campanha, já deveria ter começado há muito tempo a interação entre pré-candidatos e eleitores. Portanto, boa parte dos postulantes a cargos eletivos perderam a oportunidade de antecipar suas propostas e interação com o eleitor e assim na reta final somente reafirmar e sedimentar seus nomes e apresentar seus programas de governo.


Mas ainda há postulantes a cargos eletivos que apostam muito no horário eleitoral, que é exibido num tempo exíguo, de trinta dias, quando haverá dificuldades para o eleitor se alinhar ou ter aceitação às propostas dos candidatos. Eis um equívoco. Já redigi um texto abordando eleições digitais para candidatos analógicos e este cenário, em muitos casos, continua estacionado.

E os profissionais do segmento têm ciência que os índices de audiência são baixos no horário eleitoral. E, atualmente, o cidadão tem diversas opções além da TV aberta, como a TV por assinatura e os serviços de streaming. Inclusive, os serviços de streaming são a grande concorrência às emissoras de TV aberta. E esta pulverização diminui ainda mais o interesse do espectador pelo horário eleitoral. Eis a segunda confusão.

Já os debates começam à noite e vão terminar até 1h00 da manhã e a maioria dos eleitores está concentrada nas classes C, D e E. E esses cidadãos pegam transportes coletivos muito cedo para a labuta diária e não podem se dar ao luxo de ficar assistindo debates até a madrugada do dia anterior a uma jornada exaustiva de trabalho. Geralmente os debates servem para uma claque (torcida) que tem candidatos definidos e querem acompanhar seus escolhidos. E também para recortes de redes digitais que serão utilizados em prol dos candidatos. Que, aliás, a depender da edição, podem virar fake news ou memes.


Fim da festa

E eleições eram períodos festivos, de alegria, mas o processo está ficando ”chato”. Prova inequívoca disso é que as pesquisas vêm apontando que grande parte da população vem demonstrando pouco interesse pelos candidatos, especialmente às eleições proporcionais.

E o “nós contra eles”, o “um contra o outro”! Realmente, a festa acabou e no seu lugar entrou o ringue. Já chegamos ao nível de ouvir conversa de interlocutores onde um coloca que o seu candidato é ruim, porém o do outro é pior. Isso é discussão política? E a fulanização? Onde estão as propostas até o momento?

A cultura política atual é a de um Ba X VI. Um presta! O outro não! E o contraditório inerente à democracia? Pois creio que é pressuposto da democracia escutar o outro, independente da discordância.


O clima deveria ser de debate, propostas de políticas públicas de saúde, agricultura, planejamento urbano, saneamento, cultura, educação, mobilidade, emprego, economia criativa, segurança pública etc, etc e etc.

Afinal, a eleição deve, sempre, ser o ápice da democracia.