Tempestade em Ribeirão Preto reforça semelhanças com temporal que devastou Eunápolis
- Redação

- 25 de jul.
- 3 min de leitura
O forte temporal que atingiu Ribeirão Preto e outros municípios do interior de São Paulo na madrugada desta sexta-feira (24) apresentou características muito semelhantes às registradas em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, onde uma tempestade provocou destruição, destelhamentos e interrupção no fornecimento de energia elétrica no último dia 13.

De acordo com meteorologistas, o fenômeno registrado em São Paulo foi provocado pelo avanço de uma frente fria sobre uma massa de ar extremamente quente, condição que favoreceu a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical (cumulonimbus), responsáveis por chuvas intensas, descargas elétricas e rajadas de vento.
Especialistas do Climatempo apontam que a hipótese mais provável é a ocorrência de uma sequência de microexplosões atmosféricas (microbursts), fenômeno capaz de gerar ventos superiores a 100 km/h em áreas restritas. A meteorologista Josélia Pegorim descartou relação direta com o fenômeno El Niño, destacando que seus efeitos mais significativos ainda devem ser sentidos apenas na primavera.
Fenômeno lembra cenário vivido em Eunápolis

Embora separados por milhares de quilômetros, os dois eventos climáticos apresentam características semelhantes.

Em Eunápolis, a combinação de chuva intensa, ventos fortes, raios e trovões causou uma noite de destruição. Árvores foram arrancadas, postes e cabos da rede elétrica caíram, imóveis ficaram destelhados e estabelecimentos comerciais sofreram danos estruturais. O fornecimento de energia foi interrompido em diversos bairros, mobilizando equipes da Neoenergia Coelba, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

Assim como ocorreu em Ribeirão Preto, o avanço rápido da tempestade dificultou a previsão exata da intensidade do fenômeno, exigindo monitoramento em tempo real por radares meteorológicos.
Segundo os especialistas, as microexplosões são correntes descendentes extremamente intensas que se formam no interior das nuvens de tempestade. Ao atingirem o solo, espalham ventos em todas as direções, provocando danos semelhantes aos de um tornado, embora possuam origem e comportamento completamente diferentes.
Tornado é descartado
O Climatempo informou que não há evidências da ocorrência de tornado em Ribeirão Preto. A avaliação leva em consideração que os danos foram registrados em uma área extensa, atingindo diversos municípios, comportamento incompatível com tornados, que normalmente deixam um rastro estreito e concentrado de destruição.
Em São Paulo, além de Ribeirão Preto, cidades como Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis também registraram prejuízos significativos. Em Pradópolis, as rajadas chegaram a 122 km/h. Já em Ribeirão Preto, a Defesa Civil registrou ventos de aproximadamente 70 km/h, embora especialistas acreditem que em alguns pontos as velocidades tenham sido superiores.
Tempestade deixou morto e levou à decretação de emergência
O temporal provocou uma morte em Ribeirão Preto. Um idoso de 75 anos morreu após a residência onde estava ser atingida pela estrutura de um imóvel vizinho que desabou durante a ventania.
Diante da gravidade dos danos, o prefeito Ricardo Silva decretou situação de emergência por 180 dias, criou um gabinete de crise e autorizou a mobilização de todos os órgãos municipais para atendimento às vítimas, recuperação das áreas atingidas e reconstrução da infraestrutura danificada.
Especialistas alertam para eventos cada vez mais severos
Meteorologistas destacam que a combinação entre massas de ar muito aquecidas e a chegada de frentes frias favorece a formação de tempestades severas, com potencial para produzir chuvas intensas, rajadas de vento destrutivas, descargas elétricas e granizo.
O episódio registrado em Ribeirão Preto reforça o cenário observado recentemente em Eunápolis, evidenciando que eventos extremos têm se tornado mais frequentes em diferentes regiões do país e exigem sistemas de monitoramento cada vez mais eficientes, além de planos de resposta rápida da Defesa Civil para reduzir riscos à população.

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