top of page

Vem tomar café,

clique na xícara

PodCast Café com Antonio Marcos

Oi, ative o som clicando no ícone volume

Instagram

Bahia tem segundo pior salário do Brasil e registra recorde de informalidade, aponta IBGE

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 31 minutos
  • 3 min de leitura

A Bahia passou a ocupar a segunda pior posição no ranking nacional de rendimento médio do trabalho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, os trabalhadores baianos recebem, em média, R$ 2.284 por mês — valor superior apenas ao do Maranhão (R$ 2.228).


Na edição anterior da pesquisa, o estado ocupava a terceira colocação entre os menores rendimentos do país. Em 2025, foi ultrapassado pelo Ceará (R$ 2.394), caindo mais uma posição no ranking nacional.


Informalidade em alta


Um dos principais fatores que explicam o baixo rendimento é o avanço da informalidade. Segundo o IBGE, mais da metade dos trabalhadores baianos atua sem carteira assinada ou sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).


Entre 2024 e 2025, a cada dez pessoas que ingressaram no mercado de trabalho no estado, oito estavam em ocupações informais. Após dois anos de queda, a informalidade voltou a crescer e atingiu recorde na Bahia.


De acordo com a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE, Mariana Viveiros, esse cenário favorece vagas com menor remuneração, alta rotatividade e baixa exigência de qualificação profissional. O quadro é agravado pelo nível de escolaridade: apenas 18% das pessoas ocupadas no estado possuem ensino superior completo.


Impactos sociais e econômicos


O economista Edval Landulfo, presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), alerta que a baixa renda impacta diretamente o poder de compra da população, limita o acesso a necessidades básicas e amplia desigualdades sociais.


Segundo ele, o problema vai além dos números econômicos. “Esse cenário reflete diretamente na qualidade de vida da população e gera um efeito cascata que perpetua a desigualdade e limita o desenvolvimento econômico”, afirma.


Landulfo também destaca a desigualdade racial e de gênero como agravantes. Mulheres negras na Bahia, por exemplo, enfrentam salários ainda menores que a média estadual, aprofundando as disparidades sociais.


Entre as consequências do rendimento insuficiente estão o baixo consumo e o enfraquecimento da economia local. Com menor poder de compra, há redução na demanda por bens e serviços. Além disso, cresce a dependência de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.


Mercado de trabalho


Apesar do cenário preocupante nos rendimentos, o número de pessoas ocupadas cresceu em sete das dez atividades econômicas analisadas no estado em 2025. Os maiores aumentos absolutos foram registrados nos setores de informação e comunicação (+89 mil) e administração pública (+85 mil).


O maior crescimento percentual ocorreu no segmento de “outros serviços”, que avançou 21,8%, somando mais 61 mil trabalhadores e totalizando 341 mil pessoas empregadas na área.


O perfil predominante dos trabalhadores baianos é composto majoritariamente por homens (seis em cada dez), com idade entre 40 e 59 anos, pessoas pardas (cerca de 54%) e com ensino médio completo.


Ainda segundo o IBGE, setores que tradicionalmente exigem maior qualificação e oferecem melhores salários, como a indústria, registraram saldo negativo de trabalhadores, o que reforça a necessidade de maior investimento em qualificação profissional.


Salvador e Região Metropolitana


Em Salvador, a taxa de desocupação caiu para 8,9% em 2025 — a menor da série histórica. A capital deixou de ocupar a primeira posição entre as capitais com maior desemprego, passando para o quinto lugar.


Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a taxa de desocupação ficou em 10,1%, ainda a mais alta entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas.


O rendimento médio na capital baiana foi de R$ 3.133 em 2025, representando alta de 10,7% em relação ao ano anterior, mas ainda o segundo menor entre as capitais brasileiras. Na RMS, o rendimento médio foi de R$ 2.945, aumento de 5,4%, também figurando entre os mais baixos do país.


Os dados reforçam que, apesar de avanços pontuais no mercado de trabalho, a Bahia ainda enfrenta desafios estruturais ligados à informalidade, baixa qualificação profissional e desigualdade social — fatores que continuam pressionando o rendimento médio da população e limitando o desenvolvimento econômico do estado.

Role para baixo e veja mais notícias

Todos os temas tratados neste veículo de comunicação, mesmo conteúdos que expressam opinião, são obedientes ao critério jornalístico relacionado a fatos e acontecimentos, dentro do direito à liberdade de expressão, assegurado na Constituição Federal do Brasil, sem qualquer intenção ou motivação pessoal de agredir pessoa alguma, tão somente expressar de forma legítima o DIREITO de opinar sobre fatos verídicos e acontecimentos reais, no amplo exercício de um jornalismo livre e plural.

 

Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

00_edited.jpg
café com Antonio Marcos
bottom of page