Quase 17 anos depois, acusados de duplo assassinato de professores sindicalistas em Porto Seguro irão a julgamento
- Redação

- 25 de fev.
- 3 min de leitura

O caso que marcou a história política e social da Bahia, envolvendo o assassinato dos professores sindicalistas, Álvaro Henrique e Elisney Pereira, finalmente chega a um momento crucial. Quase 17 anos após o duplo homicídio, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) marcou para o dia 5 de maio de 2026, no Fórum da cidade de Itabuna, no sul da Bahia, o Júri Popular dos acusados. Este julgamento, que tem sido aguardado por familiares, amigos e toda a categoria de educadores, envolverá três réus: Edésio Lima Dantas, Sandoval Barbosa e Jailson Rodrigues.
O Caso: Duplo assassinato em plena greve

O duplo assassinato ocorreu em 17 de setembro de 2009, em uma emboscada na zona rural de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. Álvaro Henrique e Elisney Pereira, ambos professores e dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB), estavam liderando uma greve da categoria na época. O movimento visava garantir melhores condições de trabalho e melhores salários para os educadores. Durante a greve, os professores tornaram-se figuras centrais na luta por mais direitos e, portanto, um alvo potencial de interesses contrários.
Na manhã fatídica, a dupla foi surpreendida por um ataque armado. Elisney Pereira, que era também um ativista da APLB, morreu imediatamente no local. Já Álvaro Henrique, então presidente do sindicato em Porto Seguro, ainda sobreviveu ao ataque, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu cinco dias depois, no Hospital São Rafael, em Salvador, para onde havia sido transferido em estado grave. A morte de Álvaro Henrique agravou a comoção no estado e gerou um intenso clamor por justiça.
A acusação e os acusados
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) apontou Edésio Lima Dantas como o mandante do crime. Ele é acusado de ter articulado a execução do duplo homicídio por conta de sua possível relação com interesses contrários à greve liderada pelos professores. Ao lado dele estão os réus Sandoval Barbosa e Jailson Rodrigues, que teriam sido os executores do crime, conforme a investigação da Polícia Civil e o Ministério Público.
Apesar das acusações, todos os três réus alegam inocência e, até o momento, têm respondido ao processo em liberdade. Edésio Lima Dantas, Sandoval Barbosa e Jailson Rodrigues mantêm a versão de que não estiveram envolvidos diretamente no assassinato. Seus advogados argumentam que há falhas no inquérito e questionam a veracidade de depoimentos usados para sustentar as acusações.
O contexto e controvérsias no caso
A investigação, que se estendeu por anos, foi cercada de controvérsias e acusações de interferência política. De acordo com fontes da Polícia Civil, houve tentativas de "queima de arquivo", com mortes que poderiam ter sido associadas ao encobrimento de informações cruciais para o caso. A falta de provas materiais concretas e os depoimentos de testemunhas que mudaram suas versões ao longo do tempo tornaram o caso ainda mais complexo.
O Júri Popular, que inicialmente seria realizado em Porto Seguro, foi transferido para Itabuna devido à grande comoção popular que envolveu a cidade e à possibilidade de influências externas no julgamento, dado o histórico político da região. A decisão de realizar o julgamento em outro município foi tomada com o intuito de garantir a imparcialidade do processo.
Repercussão e mobilização da sociedade
O caso dos professores da APLB reverberou não só em Porto Seguro, mas em todo o estado da Bahia e em outras partes do Brasil. A luta por justiça tornou-se um símbolo da resistência dos trabalhadores da educação frente aos abusos de poder e da violência política. O julgamento dos réus será um marco não apenas para os familiares das vítimas, mas também para toda a categoria dos professores, que, até hoje, aguardam a conclusão de um caso que mexeu com as estruturas sindicais e políticas da Bahia.
À medida que a data do julgamento se aproxima, familiares, amigos e apoiadores da APLB preveem uma mobilização em busca de justiça para Álvaro Henrique e Elisney Pereira, lembrando o compromisso desses dois educadores com a melhoria da educação no estado e a luta por direitos fundamentais.
A expectativa é de que o processo, que ainda aguarda julgamento após tantos anos, possa finalmente esclarecer os fatos e trazer à tona a verdade sobre os responsáveis pela morte de dois dos mais destacados sindicalistas da educação na Bahia.

_edited.png)
_edited.jpg)
















_edited.jpg)

















