Cabo do Exército é investigado por suspeita de vender armas e munições a facções em Salvador


Um cabo do Exército lotado em Salvador passou a ser alvo de uma investigação que apura o suposto desvio e a venda de armamentos e munições para integrantes de organizações criminosas. O militar, identificado como Deivison dos Santos Ferreira, é lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército (BPE).
Segundo as investigações, o cabo teria negociado cerca de mil munições de fuzil, dos calibres 5.56 e 7.62, além de possíveis granadas e armas de fogo. As suspeitas surgiram após a análise de celulares apreendidos durante uma operação contra o tráfico de drogas em Salvador.

Em um dos aparelhos, pertencente a um homem apontado como comprador e revendedor de armas e drogas para facções, investigadores encontraram conversas atribuídas ao militar. As mensagens indicariam negociações envolvendo materiais de uso restrito. Deivison teria fornecido dados pessoais e uma chave Pix para receber os pagamentos.
Uma das principais linhas da investigação é a possibilidade de que parte das munições e granadas tenha sido retirada dos estoques do próprio Exército após exercícios militares. O material utilizado em treinamentos deveria retornar ao paiol da unidade, mas os investigadores suspeitam que itens tenham sido desviados e que registros de estoque possam ter sido alterados para esconder eventuais faltas.

As apurações também apontam conversas sobre a possível venda de pistolas e fuzis. Até o momento, porém, não está confirmado se essas armas tinham origem no Exército.
A investigação integra a Operação Reino Oculto, que mobilizou cerca de 250 agentes e resultou na prisão de 33 suspeitos de envolvimento com uma organização criminosa. O cabo estava entre os alvos da operação, mas já se encontrava preso desde o mês anterior por determinação da Justiça Militar.
Segundo o Comando da 6ª Região Militar, a prisão preventiva do militar está relacionada a outro procedimento, que investiga o desaparecimento de coletes balísticos. Deivison permanece custodiado em uma unidade militar à disposição da Justiça.
As autoridades continuam investigando a origem, a quantidade e o destino dos materiais que teriam sido comercializados, além de tentar identificar a eventual participação de outros envolvidos no esquema.
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