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Investigação revela atuação de advogados como intermediários de facções dentro de presídio baiano

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Vídeos obtidos durante uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelam como advogados suspeitos de ligação com organizações criminosas atuavam na transmissão de mensagens entre líderes de facções presos e integrantes que permaneciam em liberdade. As imagens foram registradas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 no Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha, unidade que abriga detentos considerados de alta periculosidade.

As gravações, autorizadas pela Justiça e divulgadas pelo programa Fantástico, mostram encontros entre advogados e presos investigados por comandar atividades criminosas mesmo de dentro da unidade prisional. Segundo os investigadores, durante as visitas eram repassadas orientações relacionadas ao tráfico de drogas, movimentação financeira das facções, aquisição de armas, além de informações sobre homicídios e sequestros.

A apuração deu origem à operação deflagrada na última sexta-feira (3), que resultou na prisão de dez advogados suspeitos de integrar o esquema. A ação foi realizada pelo MP-BA com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). Também foram cumpridos mandados contra 12 detentos apontados como integrantes de organizações criminosas.

De acordo com a investigação, os advogados utilizavam as visitas profissionais para receber e transportar mensagens dos líderes das facções. Os relatórios apontam que bilhetes com ordens e informações estratégicas eram retirados do presídio de forma clandestina, muitas vezes escondidos sob as roupas para escapar da fiscalização.

Entre os investigados está o advogado Ícaro Cardoso Viana. Em uma das gravações analisadas pelas autoridades, ele aparece recebendo instruções relacionadas à recuperação de armamentos. Em outro momento, é visto anotando informações financeiras ligadas ao comércio de drogas, cujos produtos eram identificados por codinomes utilizados pelos integrantes da organização criminosa.

A advogada Fernanda Oliveira Borges também aparece nas imagens. Segundo os investigadores, ela recebia documentos e orientações ligadas à administração financeira da facção, além de informações sobre cobranças de dívidas e outras ações atribuídas ao grupo criminoso.

Outra profissional citada nos autos é Maria Mariana Batista de Oliveira. Conforme a investigação, ela mantinha contato frequente com uma liderança do Comando Vermelho. Em uma das gravações, a advogada informa ao detento sobre a morte de um integrante da facção durante uma operação policial. Na sequência, os investigadores registraram conversas envolvendo armamentos, munições e orientações relacionadas ao tráfico de drogas.

Os relatórios produzidos pelas equipes de investigação apontam que os profissionais não se limitavam à defesa jurídica dos clientes. Segundo o MP-BA, eles teriam desempenhado funções consideradas estratégicas para o funcionamento das facções, auxiliando na comunicação entre presos e comparsas em liberdade, no controle financeiro do tráfico e até na divulgação de conteúdos utilizados para promover a venda de entorpecentes por meio de aplicativos de mensagens.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o alcance da estrutura de comunicação que, segundo as autoridades, permitia que líderes criminosos continuassem exercendo influência sobre as atividades das organizações mesmo estando encarcerados.

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Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

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