MP denuncia quatro PMs por mortes de jovens na Bahia e aponta fraude na cena do crime
- Redação
- há 10 horas
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Antes da denúncia ser oferecida, os quatro policiais militares envolvidos na morte de dois jovens durante uma ação em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, já eram investigados por suspeitas de execução e fraude na cena do crime. Agora, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) concluiu que há indícios suficientes para responsabilizar os agentes e encaminhou o caso à Justiça, pedindo que eles sejam julgados pelo Tribunal do Júri.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça quatro policiais militares acusados de envolvimento na morte de dois jovens durante uma operação realizada em 8 de julho de 2025, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a denúncia, além dos homicídios, os agentes também responderão por fraude processual, sob a acusação de alterar a cena do crime para sustentar uma versão de confronto armado que, de acordo com as investigações, não ocorreu.
A denúncia foi encaminhada à Vara do Júri e Execuções Penais de Camaçari e tem como alvo os policiais militares Jomário Prata Gois Santana, apontado como autor dos disparos fatais, além de Fábio da Silva Menezes, Reinilson da Silva Brito e Danilo Silva de Santana.
As vítimas foram identificadas como Gilson Jardas de Jesus Santos, de 18 anos, e Luan Henrique Rocha de Souza, de 20. Conforme os laudos de necropsia, ambos morreram em decorrência de hemorragia torácica aguda provocada por disparos de arma de fogo.
Investigação contesta versão dos policiais

Na ocorrência registrada à época, os policiais afirmaram que realizavam patrulhamento quando foram recebidos a tiros por dois suspeitos, que teriam fugido para o interior de uma residência. Segundo o relato oficial, houve revide e, após o confronto, os jovens foram encontrados feridos ao lado de armas de fogo.
Entretanto, a investigação conduzida pela Polícia Civil e acolhida pelo Ministério Público identificou uma série de inconsistências entre os depoimentos dos policiais e as provas técnicas produzidas durante a apuração.
A reprodução simulada da ocorrência, os exames periciais e os depoimentos de testemunhas apontam que a dinâmica apresentada pelos militares não é compatível com os vestígios encontrados no local.
Armas teriam sido inseridas na cena
Um dos principais pontos da denúncia é a conclusão de que duas pistolas apresentadas posteriormente pelos policiais não faziam parte da cena original do crime.

De acordo com o MP, apenas uma espingarda e uma réplica de arma de fogo foram efetivamente localizadas durante a perícia. As pistolas, segundo a acusação, teriam sido introduzidas posteriormente para reforçar a narrativa de que houve troca de tiros entre os policiais e os jovens.
A investigação também afirma que não foram encontrados vestígios balísticos capazes de indicar que as vítimas tenham efetuado disparos ou utilizado as armas apresentadas pelos agentes.
Laudos e vídeo reforçam suspeitas
Outro elemento considerado decisivo foi um vídeo gravado pela mãe de uma das vítimas logo após a ação policial. Nas imagens, registradas ainda durante a ocorrência, é possível ver um dos jovens desacordado dentro da viatura da Polícia Militar e o outro sendo retirado do imóvel.
Segundo o Ministério Público, o vídeo não mostra armas próximas aos corpos, o que reforça as conclusões da perícia sobre a possível alteração da cena.
Os investigadores também destacaram que a viatura utilizada pelos policiais não apresentava marcas de disparos ou perfurações, contrariando a versão de que os militares teriam sido atacados antes da intervenção.
Além disso, testemunhas ouvidas durante a investigação relataram ter escutado apenas dois tiros, cenário considerado incompatível com um intenso confronto armado descrito pelos policiais.
Família cobra justiça
O pai de Luan Henrique, o mestre de obras Jaimilson de Souza, afirmou que espera responsabilização dos envolvidos e disse confiar que as provas produzidas durante a investigação serão analisadas pela Justiça.
Familiares das vítimas sustentam que os jovens estavam em frente à residência da família de Gilson quando foram abordados pelos policiais. Segundo os relatos, eles teriam sido levados para o interior da casa e, instantes depois, foram ouvidos apenas dois disparos.
Próximos passos
Com o oferecimento da denúncia, caberá agora à Justiça decidir se a acusação será recebida. Caso o processo avance e os réus sejam pronunciados ao final da instrução criminal, os quatro policiais militares serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.

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