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Senador Jaques Wagner tentou vender imóvel por 15,8 milhões um dia após ser alvo da PF

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura


O senador baiano Jaques Wagner tentou concluir a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões na Região Metropolitana de Salvador um dia após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga supostos repasses irregulares ligados ao Banco Master. A transferência da área, localizada em Camaçari, acabou sendo impedida por uma ordem judicial de bloqueio de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com informações divulgadas pelo jornal Estadão, o comprador do imóvel é o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo, filiado ao União Brasil. O gestor municipal também adquiriu um apartamento de alto padrão pertencente ao senador, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, em uma negociação estimada em R$ 10 milhões.

Somadas, as duas transações alcançam R$ 25,8 milhões. Segundo a reportagem, parte significativa do valor já teria sido paga ao parlamentar antes do bloqueio judicial. A escritura do apartamento foi protocolada dias antes da operação da Polícia Federal, enquanto a tentativa de registro do terreno ocorreu em 19 de junho, apenas um dia após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão contra Wagner.

A investigação faz parte da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de pagamento de vantagens indevidas envolvendo agentes públicos. Após a chegada da ordem de indisponibilidade de bens ao cartório responsável, o registro do terreno foi imediatamente suspenso.

O imóvel rural possui cerca de 51 mil metros quadrados e havia sido adquirido por Jaques Wagner no ano 2000 por aproximadamente R$ 28 mil. Fontes do mercado imobiliário ouvidas pelo Estadão apontam que o valor de mercado da área poderia ser inferior ao preço negociado. O terreno estaria destinado a um futuro empreendimento imobiliário na região.

Em manifestação encaminhada ao STF, Marcelo Passos de Araújo afirmou que realizou as aquisições de forma regular e alegou ser um "terceiro de boa-fé". Segundo o prefeito, os contratos foram firmados ainda em 2025 e os pagamentos concluídos antes da operação da Polícia Federal. Ele solicitou à Justiça a liberação dos imóveis para efetivação dos registros.

A defesa de Jaques Wagner, por sua vez, nega qualquer irregularidade nas negociações. Em nota, o advogado do senador afirmou que todas as operações ocorreram dentro da legalidade e que não há fatos a serem ocultados.

O caso ocorre em meio ao avanço das investigações que atingem o parlamentar. A repercussão política levou Wagner a deixar a liderança do governo no Senado, embora ele mantenha a intenção de disputar a reeleição nas eleições de 2026. As apurações seguem sob análise do STF e da Polícia Federal.

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Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

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