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Brasil perde o jornalista Carlos Monforte, pioneiro do telejornalismo brasileiro

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos. Com mais de quatro décadas dedicadas à comunicação, ele construiu uma trajetória marcante no telejornalismo brasileiro, especialmente pela cobertura política e pela contribuição para a consolidação do modelo de jornalista-âncora no país.

Monforte estava em tratamento contra um câncer. A causa da morte não foi detalhada.

Natural de Santos, no litoral de São Paulo, Carlos Américo Aguiar Monforte iniciou a carreira como repórter no jornal A Tribuna, antes mesmo de concluir a faculdade de Jornalismo. Formou-se em 1972 e, nos primeiros anos da profissão, também atuou na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e como repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo.

Entre 1973 e 1978, período em que consolidou sua experiência profissional, participou de cursos de aperfeiçoamento na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França.


Trajetória na televisão

Carlos Monforte chegou à Globo em 1978, inicialmente como repórter local. Pouco tempo depois, passou a produzir reportagens para programas de grande audiência, como o Jornal Nacional e o Fantástico.

Entre as coberturas realizadas naquele período estavam importantes acontecimentos políticos e sociais, como as greves dos metalúrgicos do ABC Paulista.

A transição do jornalismo impresso para a televisão, segundo o próprio Monforte, exigiu um processo de adaptação. Em depoimento registrado pelo projeto Memória Globo, o jornalista relembrou as dificuldades enfrentadas no início da carreira televisiva e afirmou que precisou de alguns anos para compreender plenamente a dinâmica do novo meio.


Primeiro apresentador do Bom Dia Brasil

Em 1982, Monforte assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e também passou a apresentar o Bom Dia São Paulo.

No ano seguinte, participou de um dos momentos mais importantes de sua trajetória profissional. Em janeiro de 1983, a Globo estreou o Bom Dia Brasil, e Carlos Monforte foi escolhido para ocupar as funções de editor-chefe e apresentador do novo telejornal.

Ele permaneceu à frente do programa durante nove anos, em um período marcado por intensa cobertura dos principais acontecimentos políticos e econômicos do país. O telejornal realizou centenas de entrevistas com autoridades, empresários e personagens importantes da vida nacional.

A atuação de Monforte ajudou a consolidar no Brasil um modelo de âncora com participação direta na construção editorial do noticiário. Além de apresentar, o jornalista também participava das decisões sobre os conteúdos que seriam levados ao ar.


Uma carreira marcada pela cobertura política

Em 1992, Carlos Monforte deixou a Globo para montar o departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde permaneceu por dois anos.

Posteriormente, retornou à emissora como repórter especial em Brasília, cidade onde acompanhou alguns dos principais episódios da política brasileira. Ao longo da carreira, entrevistou autoridades de diferentes períodos, entre elas o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Também realizou reportagens sobre temas de grande repercussão nacional, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a CPI do Narcotráfico e debates relacionados ao chamado “Custo Brasil”.

Em 1998, passou a integrar a GloboNews. No canal de notícias, comandou o programa Espaço Aberto, onde entrevistou autoridades e especialistas sobre assuntos como segurança pública, reforma tributária, responsabilidade fiscal e queimadas na Amazônia.

No fim dos anos 2000, assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília e passou também a apresentar o Jornal das Dez diretamente da capital federal, além de participar de outros programas da emissora.

Carlos Monforte deixou a Globo em 2016, encerrando uma trajetória de quase quatro décadas ligada ao grupo de comunicação.

A morte do jornalista representa a despedida de um dos nomes mais importantes de uma geração que ajudou a transformar o telejornalismo brasileiro, especialmente na forma de apresentar e interpretar os grandes acontecimentos da política nacional.

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Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

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