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Café pode estar relacionado a uma microbiota intestinal mais diversa, apontam pesquisas

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    Redação
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

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Aquela xícara de café que muita gente toma automaticamente pela manhã pode estar fazendo mais do que ajudar a despertar. A bebida entrou no radar de pesquisadores por uma razão que vai além da cafeína: entender sua relação com as bactérias que vivem no intestino.


O epidemiologista britânico Tim Spector, professor de Epidemiologia no King's College London e especialista em microbiota, destaca uma associação observada em pesquisas com consumidores habituais de café.


Quem toma café pode ter uma microbiota mais diversa


Uma pesquisa que analisou dados de mais de 22 mil pessoas em 25 países encontrou uma relação entre o consumo de café e uma maior diversidade do microbioma intestinal.


O estudo identificou mais de 100 espécies de bactérias associadas ao consumo da bebida. Entre elas, uma chamou especialmente a atenção dos pesquisadores: a Lawsonibacter asaccharolyticus.


Segundo Spector, essa bactéria apareceu em quantidade entre seis e oito vezes maior entre consumidores habituais de café.


A Lawsonibacter asaccharolyticus também pode ser encontrada em pessoas que não tomam café. No entanto, os dados indicam uma associação entre o consumo da bebida e uma maior presença da bactéria no intestino.


O efeito não parece depender apenas da cafeína


Uma das descobertas mais curiosas é que o padrão observado também apareceu entre pessoas que consumiam café descafeinado. Isso sugere que a possível relação entre a bebida e a microbiota não estaria ligada exclusivamente à cafeína.


A explicação apontada pelos pesquisadores passa pela complexa composição química do café, especialmente pelos polifenóis, compostos naturalmente presentes na bebida.


No intestino, esses componentes podem interagir com os microrganismos e ser transformados em diferentes metabólitos.


O que os polifenóis têm a ver com isso?


Os polifenóis presentes no café são utilizados pelos microrganismos intestinais em processos que resultam na formação de metabólitos. Entre os compostos mencionados nas pesquisas estão o ácido quínico e o hipurato.


Essas substâncias aparecem associadas, em diferentes trabalhos científicos, a aspectos relacionados à saúde metabólica e cardiovascular.


Por isso, o interesse científico pelo café não está apenas no conhecido efeito estimulante da cafeína. A bebida também passou a ser estudada pela forma como seus componentes interagem com o ecossistema de microrganismos que habita o intestino.


Por que a microbiota chama atenção?


A microbiota intestinal reúne milhões de microrganismos que vivem no sistema digestivo. A diversidade desse ecossistema é considerada um importante marcador relacionado à saúde intestinal e aparece associada a aspectos como metabolismo e processos inflamatórios.


Isso ajuda a explicar por que hábitos aparentemente simples, como beber café, passaram a ser observados pelos pesquisadores de maneira mais ampla.


A questão deixou de ser apenas "café dá energia?" e passou a incluir outra pergunta: o que acontece com os microrganismos do intestino quando essa bebida faz parte da alimentação?


Café descafeinado também entra na discussão


Para quem gosta do sabor do café, mas precisa evitar a cafeína, há outro detalhe interessante.


Os estudos citados por Spector encontraram padrões semelhantes no microbioma entre consumidores de café com cafeína e de café descafeinado.


O resultado reforça a hipótese de que outros componentes presentes na bebida, e não somente a cafeína, podem estar envolvidos na interação entre o café e as bactérias intestinais.


Em resumo


As pesquisas apontam uma associação entre o consumo habitual de café, maior diversidade do microbioma intestinal e maior presença da bactéria Lawsonibacter asaccharolyticus. Como efeitos semelhantes foram observados também com o café descafeinado, os pesquisadores investigam o possível papel de outros compostos da bebida, como os polifenóis.


É importante destacar que uma associação observada em estudos não significa, por si só, que o café seja responsável diretamente por essas alterações na microbiota.


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Antonio Marcos Nunes dos Santos

Jornalista - Registro 0006829/BA  

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