Interditado centro cirúrgico onde empresária morreu em Ilhéus, local funcionava sem alvará sanitário
- Redação

- há 16 horas
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Espaço do Hospital Vida foi interditado cautelarmente pela Sesab após morte de paciente submetida a quatro procedimentos estéticos
O centro cirúrgico do Hospital Vida, em Ilhéus, no sul da Bahia, onde a empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu após ser submetida a quatro procedimentos estéticos, foi interditado cautelarmente pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) nesta quinta-feira (27).
A interdição ocorreu após uma fiscalização constatar que o espaço não possuía alvará sanitário para funcionar como centro cirúrgico. Em resposta ao A TARDE, a Sesab confirmou a irregularidade: “o hospital não tem alvará sanitário para funcionamento de centro cirúrgico”.
A informação também foi confirmada pelo advogado da família da empresária, Néry Santana, após reunião com o coordenador-geral do Núcleo Regional de Saúde Sul, Danilo Souza Amorim.
Segundo o advogado, a sala onde os procedimentos foram realizados teria sido alugada pelo médico Rossini Tebaldi Ruback. A reportagem não conseguiu localizar o responsável pela administração do espaço para confirmar a informação.
Até a publicação desta matéria, o Hospital Vida e o médico não haviam se manifestado sobre a utilização da sala e as condições de funcionamento do centro cirúrgico.
Polícia investiga morte da empresária
A Polícia Civil também apura as circunstâncias da morte de Adriele. O delegado Luiz Henrique Machado de Paula, da 1ª Delegacia Territorial (DT/Ilhéus), responsável pelo caso, afirmou que a investigação ainda está em andamento e que não é possível apontar responsabilidades antes da análise da documentação.
Segundo o delegado, a polícia já solicitou o prontuário médico da paciente e documentos aos órgãos de fiscalização. A equipe também aguarda o resultado da necropsia e pretende ouvir pessoas relacionadas ao caso.
“Estamos aguardando as documentações médicas e administrativas. Até ter os documentos em mãos, não posso fazer nenhuma afirmação. Já oficiamos requisitando o prontuário médico e os órgãos de fiscalização. Aguardamos o laudo da necropsia, que deve ser entregue hoje ou amanhã. E vamos ouvir as pessoas”, explicou.
A polícia também solicitou informações sobre outros episódios anteriores envolvendo o médico Rossini Tebaldi Ruback.
De acordo com o delegado, há relatos de outros fatos ocorridos em anos anteriores, inclusive em Itabuna, mas essas informações ainda estão sendo verificadas.
“Nossa investigação é sobre a morte da empresária. Existem informações de outros fatos, ocorridos em anos anteriores e em Itabuna. Estamos confirmando quais são”, afirmou.
Família cobra justiça
Adriele foi sepultada na manhã desta quinta-feira (27), no Cemitério Municipal de Ituberá, cidade onde nasceu. O enterro foi marcado por comoção e revolta de familiares e amigos.
Durante o cortejo pelas ruas do município, pessoas próximas à empresária carregaram cartazes e fizeram pedidos de justiça.
O advogado da família também fez críticas às condições em que os procedimentos foram realizados e atribuiu responsabilidade ao hospital. As declarações, no entanto, fazem parte da manifestação da defesa da família e ainda serão analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Empresária morreu após quatro procedimentos estéticos
Adriele morreu na madrugada de quarta-feira (26), após ser submetida a quatro procedimentos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e aplicação de jato de plasma.
Segundo o advogado da família, a empresária chegou ao hospital pela manhã para realizar as intervenções e foi encaminhada ao centro cirúrgico.
A previsão inicial era de que a cirurgia terminasse por volta das 18h. No entanto, o horário passou sem que os familiares recebessem informações sobre o estado de saúde da paciente. A previsão teria sido posteriormente alterada para 20h e, depois, para 21h.
Ainda de acordo com Néry Santana, a família continuou buscando informações até a meia-noite. Posteriormente, os parentes foram comunicados de que Adriele havia morrido.
A causa da morte deverá ser esclarecida pela investigação, com auxílio dos documentos médicos e do laudo da necropsia.
Retorno à Bahia
Natural de Ituberá, Adriele havia retornado à Bahia após morar durante cinco anos nos Estados Unidos. Segundo familiares, ela voltou ao estado em junho para visitar parentes e realizar os procedimentos estéticos.
A empresária pretendia retornar aos Estados Unidos em outubro.

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