Trump anuncia medidas contra concentração no setor de carnes dos EUA
- Redação

- há 13 horas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) que pretende adotar medidas para facilitar que agricultores e pecuaristas processem e comercializem a própria produção. A iniciativa faz parte de uma ofensiva contra a concentração do mercado de carnes no país.
Trump voltou a criticar as quatro maiores processadoras de carne bovina dos EUA — JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef — que, juntas, controlam cerca de 85% do mercado. Duas delas têm ligação com o Brasil: a JBS, de origem brasileira, e a National Beef, controlada pela MBRF.
"Há, essencialmente, quatro delas, um número nada competitivo", afirmou Trump em uma publicação nas redes sociais, sem citar as empresas nominalmente.
A ofensiva ocorre em meio à alta dos preços da carne nos Estados Unidos. A inflação da proteína bovina chegou a 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo dados do Departamento do Trabalho.
A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que o governo deve anunciar, a partir de segunda-feira (31), medidas para fortalecer pequenos produtores e processadores, incluindo redução de burocracia, financiamento e mudanças nas regras de comercialização entre estados.
Atualmente, a legislação exige inspeção federal para a comercialização de carne de animais abatidos e processados pelos próprios pecuaristas, com algumas exceções.
A proposta de flexibilização divide o setor. O Meat Institute, que representa processadoras, alertou para riscos à segurança alimentar sem inspeção. Já a associação que representa pecuaristas apoiou a redução da burocracia, mas defendeu a manutenção dos padrões de fiscalização.
As críticas de Trump ganharam força neste mês, depois que seu conselheiro comercial Peter Navarro acusou as quatro grandes empresas de formar um "cartel" e afirmou que duas delas são controladas por empresas brasileiras.
A MBRF negou irregularidades e afirmou atuar em conformidade com as leis de concorrência e antitruste. A JBS não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Na quarta-feira (26), Trump também ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importação de carne bovina magra com tarifa reduzida, numa tentativa de conter os preços. A medida, porém, gerou preocupação entre pecuaristas americanos, que temem impacto negativo sobre os preços pagos pelo gado.

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